Zeebo: Ame-o ou deixe-o

Muito tem se falado sobre o Zeebo, às vezes coisas boas, a maioria não, mas simplesmente para ser o do contra resolvi defender o bicho de algumas acusações. Infelizmente há alguns aspectos do console que não podem ser defendidos, não há como argumentar contra os fatos. A intenção é somente tentar remediar algumas injustiças que, pelo menos na minha opinião, foram feitas na análise desse videogame.

Zeebo

Como o Zeebo se trata do primeiro console produzido no Brasil, não era de se esperar uma maravilha tecnológica capaz de competir de frente com os grandes líderes de mercado. Entretanto, mesmo sem grandes expectativas, o console não agradou. Hardware fraco, preço considerado salgado e a pequena quantidade de jogos disponíveis são frequentemente citados como motivos para desmerecer o console, alguns deles não são totalmente bem fundamentados.

Uma das afirmações mais injustas, e que mais me oponho, é a frequente comparação do preço do Zeebo com o Playstation 2 juntamente com a possibilidade de adquirir jogos de graça para este console. Concordo que o valor dos dois é muito semelhante, R$500 no caso do Zeebo e o Playstation 2 variando de R$400 a R$600, entretanto os jogos do segundo console não são de graça, muito pelo contrário. Começando com R$50 e chegando até R$150 nos melhores títulos, em contraste com jogos de dez a trinta reais no Zeebo.

O problema aqui é a pirataria que está tão enraizada na nossa cultura que acaba fazendo as pessoas desconsiderarem o preço dos jogos, assim como qualquer conteúdo digital, na avaliação de um produto. O meu argumento não trata a questão ética de usar software pirata, todos fazemos e vamos para o inferno de mãos dadas, o que quero ressaltar é que não há meios de uma empresa competir com um bom conteúdo que é distribuído de graça, pois se um jogo vale a pena ser pirateado então muito provavelmente ele é bom.

Crash Bandicoot

Supõe-se uma certa ordem no mundo, onde as crianças são livres das cáries e os adultos pagam pelo que consomem. Sendo assim o melhor que os fabricantes do Zeebo podem fazer e tornar o seu preço competitivo com o praticado pela “concorrência” (concorrência entre aspas por motivos óbvios).

Entretanto o que eu vejo por aí são pessoas argumentando dos preços abusivos do Zeebo principalmente se comparado com os do Playstation 2, que é um excelente console e por isso é um grande alvo de comparações. Veja bem que é diferente dizer que a facilidade de adquirir jogos de outros videogames irá condenar o Zeebo ao porão dos colecionares mais entusiasmados e peças de museu, apesar de que isso pode ser verdade. O que está sendo dito, ou no mínimo insinuado, é que empresa está obrigada a competir com esse mercado pirata usando qualquer meio possível.

Outra injustiça cometida é com relação aos jogos lançados. Grande parte deles são portados de jogos de celulares o que é mais que suficiente para garantir uma baixa qualidade, entretanto há alguns jogos mais complexos migrando para o console, como Resident Evil 4 e Crash Bandicoot além de alguns lançamentos exclusivos (sem fontes porque não é esse o meu objetivo, mas elas existem.).

Resident Evil

O videogame também acertou em alguns pontos, que são convenientemente esquecidos quando é alvo de ataques. Por exemplo além do baixo custo dos jogos, estes podem ser armazenados no próprio console sem necessidade de mídias externas e adquiridos através de uma rede 3G gratuita para o download, evitando ter aquele monte de trambolho que são as fitas e DVDs de jogos.

Outro ponto muito importante, não pra mim e talvez não para você mas certamento para muitos, é a distribuição dos jogos totalmente traduzidos para o português. É uma experiência muito gratificante quando você finalmente consegue entender o que está acontecendo no jogo após anos lutando contra o inglês. Não há nem a necessidade de ressaltar o quanto seriamos beneficiados pela tradução oficial dos jogos e como isso facilitaria o acesso a ele, mas eu resolvi fazer assim mesmo.

Em resumo: O Zeebo é ruim? Sim. É a minha opinião e a de muita gente, obviamente há quem discorde, e há formas legítimas de defender esse ponto sem a necessidade de apelar. Ele vai fracassar? Não sei, mas espero sinceramente que não.

Uma resposta para “Zeebo: Ame-o ou deixe-o”

  1. Marcos Ribeiro Disse:

    Como bom brasileiro a gente sempre quer o melhor para as coisas produzidas e criadas aqui, Brasil.
    Nunca testei o Zeebo, mas sempre quis ver como funciona.
    Acho que a parte da tecnologia 3G para download de jogos é muito massa. (se não for de baixa velocidade, claro.)
    Espero também que isso realmente se desenvolva e não fique deixado de lado =D

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